Artigo: Uma história apimentada

Variedades de Capsicum

A pimenta (Capsicum spp. L.) é uma planta que foi domesticada na América por volta de 6.000 anos atrás. Sua picância se espalhou pelas cozinhas do mundo após Cristóvão Colombo ter desembarcado no Caribe levando de volta para Europa alguns exemplares. Pimentas são consideradas a primeira especiaria usada por seres humanos, e hoje há pelo menos 25 espécies separadas na família de pimentas americanas e mais de 35 no mundo.

Existem diferentes tipos de pimentas, e diferentes nomes dependendo do tipo e do local onde elas são cultivadas. A primeira confusão vem com a pimenta-preta ou pimenta-do-reino, pelo uso na culinária e pela semelhança no sabor os portugueses adotaram o mesmo nome “pimenta” para os frutos da Capsicum, entretanto a pimenta-do-reino advém dos grãos da espécie Piper Nigrum. Outro caso ocorre na língua espanhola com a palavra chili, muito usada nos dias de hoje para indicar as pimentas mais picantes, entretanto chili é nome dado ao molho feito a partir de chile, essa sim, significa pimenta. A partir daí temos também outras variações de nomes como chilli e chillies. Independente do nome as pimentas estão hoje na culinária de várias regiões do mundo devido o seu sabor e principalmente sua picância.

Casos de Cultivo

Acredita-se que ocorreram pelo menos dois, e talvez até cinco casos de domesticação da planta no mundo. O tipo mais comum de pimenta atualmente, e provavelmente a primeira a ser cultivada, é a Capsicum annuum, domesticada no México ou norte da América Central por volta de 6.000 anos atrás a partir da pimenta “pássaro selvagem” (C. annuum v. glabriusculum). Sua proeminência pelo mundo é devido o fato de ter sido a primeira a ser introduzida na Europa no século XVI.

Existem outros tipos que podem ter sido domesticadas de forma independente, C. chinense (pimenta lanterna amarela, acredita-se que foi domesticada no norte da planície Amazônica), C. pubescens (no sul da Cordilheira dos Andes) e C. baccatum (planície Boliviana). C. frutescens (piri-piri ou pimenta tabasco, do Caribe) pode ser considerada como um quinto caso, entretanto alguns estudos sugerem que esta seja apenas uma variedade da C. chinense.

Primeiras evidências de domesticação

Existem antigos sítios arqueológicos com evidências de sementes de pimentas, como na Caverna do Guitarrero no Peru e Caverna Ocampo no México, que datam de 7.000 a 9.000 anos atrás. Porém seus contextos estratigráficos não se mostraram claros e alguns estudiosos preferem usar datas mais conservadoras de 6.000 ou 6.100 anos atrás.

Um estudo profundo de evidências genética (semelhanças de DNA entre diferentes tipos de pimenta), paleo-biolinguística (semelhança de nomes para pimenta usada em várias línguas indígenas), ecológica (onde plantas de pimenta foram encontradas) e arqueológica da pimenta foi apresentado em 2014. Kraft et al. argumenta que essas quatro linhas de evidências sugerem que as pimentas foram domesticadas pela primeira vez no centro-leste do México, perto da Caverna Coxcatlán e Cavernas Ocampo.

Efeitos Culinários

Após serem introduzidas na Europa por Colombo, as pimentas lançaram uma mini revolução na culinária; e quando os amantes de pimenta espanhóis retornaram, levaram consigo as variedades mais picantes. O Chili, ou molho de pimentas, já fazia parte da culinária da América Central por milhares de anos, tornando-se comum no norte do México em locais dominados pela corte colonial espanhola. Ao contrário de outras plantações domesticadas na América Central como milho, feijão e abóbora, as pimentas não se tornaram parte da culinária do sudoeste estadunidense/noroeste mexicano até contato com espanhóis. Os pesquisadores Minnis e Whalen sugerem que as variedades picantes de pimentas não tinham espaço na culinária local até que a chegada de colonos espanhóis afetou os apetites locais.

Carolina ReaperCarolina Reaper, desde 2013, a pimenta mais forte do mundo.

 Referências

Oliver Batista

Oliver Batista

Diretor de Produção e Tecnologia em Favo
Graduado em Ciência da Computação, experiência em desenvolvimento de sistemas embarcados, mobile, web e protocolos de comunicação para Internet das coisas. Busca sempre a inovação via quebra de paradigmas para construção de soluções ótimas para todos envolvidos.
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